segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

{resposta} "O SAGRADO FEMININO: OLHANDO PRA ALÉM DO PRÓPRIO ÚTERO"


Achei muito interessante os questionamentos no "Blogueiras Negras" sobre o movimento do "Resgate do Sagrado Feminino" (RSF), aposto que são os mesmos questionamentos de muitas pessoas, inclusive, no mesmo dia recebi três mensagens de mulheres diferentes à respeito d artigo: http://blogueirasnegras.org/2017/01/31/o-sagrado-feminino-olhando-pra-alem-do-proprio-utero/

Ensaio responder cada um desses questionamentos, na minha visão de mundo (sublinho que não pretendo representar a visão das mulheres envolvidas com os trabalhos do RSF). Percebo que a autora do texto tem suas próprias convicções sobre a polêmica, porém discordo de algumas e explicarei o porquê.

- Sobre a biologização do corpo no sagrado feminino: não é apenas corpos de genótipo "XX" que podem vivenciar o sagrado feminino. O que ocorre, é que as técnicas e práticas utilizadas atualmente nas ditas "rodas de mulheres" tem uma origem que retorna até os períodos Paleolíticos e Neolíticos, passando por outras culturas da Idade Antiga, especialmente as culturas greco-romanas, orientais (especialmente indianas) e de alguns povos nativo-americanos. Logo precisamos situar historicamente essas práticas, entendendo que em muitas dessas sociedades, o gênero feminino correspondia ao sexo feminino, e o gênero masculino correspondia ao sexo masculino, sem variações. Havia também uma forte divisão sexual do trabalho, o que responde a outra indagação, sobre a "essencialização" das características femininas, como "cuidadora", "maternal", etc. Aqui tenho dúvidas se a blogueira conhece as faces do sagrado feminino, pois a "Mãe" é apenas uma das 3... ou 9... ou até 13 faces. E ainda, se conhece profundamente o que significa a face da Mãe (que não se refere apenas a maternidade).

-Sobre a menstruação: os trabalhos dentro dos círculos de mulheres com a menstruação se restringe ao sangue, seus poderes e seu ciclo. Sobre coletor menstrual e absorventes de pano, é algo auxiliar e nunca foi e nunca será parte dos mistérios do sangue. Faz uso dessas formas de higiene quem quer fazer, e ninguém é obrigada. Agora, o que tentamos conscientizar as mulheres que buscam um auto-conhecimento e um caminho de respeito à Natureza (que é vista por nós como Sagrada), é que parem de usar absorventes descartáveis para diminuir a destruição do corpo de "Gaya" (basicamente isso). Mas novamente, ninguém é "obrigada" e ninguém é menos mulher por usar absorvente descartável.

-Achei curioso a autora se referir à "tenda vermelha" com ironia. O que ela diria sobre os 21 dias de reclusão da/o iaô no Candomblé? É exclusão social também? Gostaria de saber a opinião dela. E mais uma vez, ninguém é obrigada, cada uma faz aquilo que está ao seu alcance, e ninguém precisa deixar de trabalhar o sagrado feminino dentro de si porque tem uma jornada de "30h por dia".

-Antes de terminar a parte divergente, gostaria de me aprofundar um pouco mais na questão das mulheres de outras corporalidades e até mesmo nos homens dentro do trabalho de Resgate do Sagrado Feminino:

Acreditamos que todos os seres (humanos, animais, plantas, pedras, etc) possuem o feminino e o masculino em si. Pois o masculino e o feminino são apenas polaridades energéticas contrárias e complementares, assim como o Yin e o Yang.

Visto isso, uma mulher trans, uma mulher homoafetiva, um homem, enfim... todos os tipos de gênero e orientações sexuais carregam em si as duas polaridades que funcionam em um equilíbrio dinâmico. E aqui eu abro um parêntese sobre equilíbrio dinâmico para entender algo mais à frente: equilíbrio não quer dizer 50% uma coisa 50% outra... quer que as duas energias estão sempre num movimento que TENDE ao equilíbrio. 

Mas...realmente! Por que será que estes círculos são geralmente exclusivos para mulheres nascidas mulheres?

Não posso responder por todas, mas acredito que, como crianças, estamos reaprendendo a desenvolver uma consciência que perdemos. E qual é o caminho mais direto e mais fácil de se fazer isso? O CORPO. Não existe como negar a contribuição do corpo para nossa existência. A corporalidade é o mecanismo imediato de contato com o universo. 

Logo, a maneira CORPORAL de trabalhar o RSF vai ser diferente em cada um desses diferentes corpos. E não apenas: é diferente em cada pessoa, mesmo que sejam duas irmãs gêmeas. A mulher tem um corpo diferente do homem, que tem um corpo diferente dos homens e mulheres trans, que tem um corpo diferente de uma menina que ainda não menstruou, que tem um corpo diferente das pessoas hermafroditas... enfim, não existe apenas duas corporalidades, existem diversas... e cada uma delas é um mecanismo diferente de receptividade do universo.

Então 1o ponto que precisa ser entendido: a experiência corporal é importante no resgate do sagrado feminino e cada tipo de corpo (com utero, sem utero, com utero não funcional, com utero e pênis.. enfim) deve ser trabalhado de um jeito.

A partir daí, 2o ponto que precisa ser entendido: o resgate do sagrado feminino é um movimento espiritualista quase 100% baseado em tradições antiquíssimas, sociedades que não sabemos como realmente funcionavam, só temos pistas, e sabemos que havia uma forte divisão sexual do trabalho: homens eram caçadores e guerreiros, e mulheres coletavam e plantavam e cuidavam das crias. Basicamente isso. Os papéis sociais neste tipo de sociedade eram muito mais simplificados, não tinha-se a gama identitária que se tem hoje.

Daí que está: nos círculos de mulheres da sociedade contemporânea, estamos pegando um "quadrado" e tentando encaixar num "círculo". Ok, o quadrado cabe no círculo, mas vão sobrar arestas, e nós temos que aparar essas arestas. Mas os antigos não nos ensinaram isso, nós temos que aprender sozinhos, captar a "alma" da coisa e fazer adaptações e invenções. 

Traduzindo:
Homens e mulheres trans não tem útero, obviamente não poderão trabalhar os mistérios do sangue menstrual. Eles e elas tem menos feminino dentro de si por causa disso? NÃO! Feminino, como eu disse, é uma energia, não corresponde obrigatoriamente a sexo ou gênero.

Mas a mulher é, ARQUETIPICAMENTE, a REPRESENTAÇÃO da energia feminina (presta atenção nas palavras em caixa alta). Isso não significa que ela CORRESPONDA a isso, nem significa que haja EXCLUSÃO das outras identidades de gênero.

Mas deixa eu contar uma coisa para vocês: não é todo mundo que está disposto, ou melhor, disposta, a se aventurar nessa diversidade de identidade de gênero. Eu mesma, no começo, não estava. É muito mais fácil juntar um monte de mulheres com úteros (funcionais ou não) e repetir o que se faz há mais de milênios. É uma receita que a gente já sabe que dá certo. Mas também não faz sentido ignorar o que existe hoje. O mundo é composto de outra forma, com outras corporalidades... e já que o RSF se empenha tanto em mudar o mundo, é necessário que ele próprio mude também... ou pelo menos se atualize. E né fácil não! Por ex.: como trabalhar com a influência da lua sobre os ciclos femininos com homens ou trans? Eu não sei, ainda estou descobrindo. E acho importante descobrir. Essa descoberta definitivamente não está nos livros. Vamos ter que fazer isso ao vivo e a cores, juntos e precisaremos muito dos/das "pessoas-que-não-são-mulheres-com-útero" para isso.

Agora para não dizer que sou "do contra" rs... eu concordo que o sistema universal de saúde deveria ser mais justo socialmente e oferecer um serviço de qualidade às mulheres em situação de vulnerabilidade. Não é justo que apenas as mulheres com acesso ao serviço particular possam escolher o parto natural.

Também não posso negar a perigosa mercantilização do Sagrado Feminino por alguns grupos (vide Mandala da Prosperidade) e também o "branqueamento" dos círculos do RSF. Isso é algo que deve ser amplamente discutido e devemos buscar soluções de forma horizontal. Devemos procurar saber: por que há menos negros e negras participando desses grupos, por que há menos pessoas de classes sociais menos abastadas participando desses grupos?

Cordialmente,

Luiza - Anajé.










Um pouco sobre mim: Anajé, pagã piaga, bruxa, antropóloga, aprendiz de permacultora, tem orgulho do sangue tupi em suas veias, co-administradora da loja Magia de Quintal, uma das condutoras do Círculo das Marés - círculo misto de resgate do sagrado feminino em Parnaíba-PI.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Calendário Lunar 2017 ~ Meio-Norte

Nesta postagem anterior, falei um pouco sobre as origens e como é utilizado o calendário Lunar. Agora atualizo para vocês os ciclos do calendário lunar no ano de 2017 (que começa já dentro da Lua da Promessa):


30/Dez~28/Jan: Lua da Promessa, Lua do Cajueiro, Lua do Renascimento ou Lua Escura: a humidade aumenta, e aos primeiros sinais de chuva a natureza se faz exuberante. Época de frutificação dos cajueiros. Bom tempo para planejar ações a longo prazo.

29/Jan~27/Fev:  Lua da invernada, ou Lua Quieta: Início das chuvas; limpeza e preparo da terra para plantio. Bom momento para rituais de purificação do lar.

28/Fev~28/Mar:  Lua do rio cheio, ou Lua da Semeadura: chuvas mais intensas, início do plantio na terra fértil. Bom momento para compartilhar ideias, sonhos e pensamentos.

29/Mar~26/Abr: Lua das flores ou Lua da tempestade ou Lua da Maré Grande: chuvas intensas; desabrochar das floradas; maior maré do ano na Lua Nova próxima ao Equinócio. Momento de grande força, bom para focar energia em projetos pessoais.

27/Abr~26/Mai: Lua Verde ou Lua da Primeira Colheita, ou Lua da Vagem: chuvas continuam, terra se encontra fértil, ocorrem as primeiras colheitas (milho e feijão).

27/Mai~24/Jun: Lua da Benção ou Lua da Fertilidade: colheitas e reprodução de animais; fartura. Bom momento para investimentos pessoais.

25/Jun~23/Jul: Lua do Milho ou Lua Amarela: Transição para a fase de seca. Aquecimento, celebração (festas juninas)

24/Jul~22/Ago: Lua da Gratidão ou Lua da Colheita: últimas colheitas, armazenamento de alimentos, os ventos aumentam. Momento de agradecer as dádivas e preparar-se para um longo período de contenção.

23/Ago~20/Set: Lua dos Ventos ou Lua Clara, ou ainda, Lua da Carnaúba: mês extremamente seco, de ventos fortes, cautela e contenção de energias.

21/Set~20/Out: Lua do Babaçu  ou Lua Marrom: seca, com chuvas isoladas. Mês bom para construção, mas ruim para plantio. A árvore Babaçu frutifica como um milagre no meio da escassez. Momento de encontrar força através das adversidades.

21/Out~19/Nov: Lua dos Ancestrais ou Lua Azul, ou ainda, Lua dos Mortos: a seca continua a castigar a terra, a natureza está recolhida. Tempo de parar e rever as ações, momento propício para honrar os ancestrais e contactar os espíritos.

20/Nov~18/Dez: Lua Seca, Lua de Sangue, Lua da Mandioca: seca intensa, natureza contida. Árvores sem folhas dominam a paisagem. Última safra de mandioca. Período de se livrar daquilo que pesa e dificulta a jornada. Energia concentrada em raízes e troncos.

19/Dez~16(?)/Jan: Lua Cinzenta, Lua do Pequi ou Lua da Transição: A seca diminui, o calor continua intenso. Época de frutificação do pequizeiro.





terça-feira, 30 de agosto de 2016

{galinhas} {DIY} Bebedouro automático - niple

Cleópatra se servindo de água. Ela não sai de perto de bebedouro!
Uma postagem para quem cria galinhas (ou outra ave). Vou apresenta umr detalhe que vai revolucionar a saúde de suas galinhas e te poupar um bom tempo de cuidado diário com a senhoritas penudas: o uso do bebedouro automático.

A água contaminada no bebedouro é o principal meio de proliferação de doenças mortais entre o rebanho. A galinha é um bicho espalhafatoso: gosta de ciscar na terra, tomar seu banho diário de areia... e frequentemente elas fazem isso perto da vasilha de água, enchendo-a de sujeira, carregada de fezes e outros detritos. Além disso, a saliva de uma galinha doente pode contaminar facilmente outras galinhas através da água.

No caso do bebedouro automático, a galinha apenas tem contato com a "agulha" que ela pressiona como um botão pelo qual escorre a água que ela bebe. A água fica sempre limpa num reservatório acima do niple.


É algo simples, que você mesmo pode fazer em casa. Nas fotos abaixo, vou demonstrar o passo a passo:

Material necessário:

- Pelo menos um niple
- Garrafa PET ou reservatório limpo
- Furadeira broca 8
- Cordão

Pegue um reservatório de plástico...
 e marque sua superfície para a broca não escorregar.


Coloque a broca 8 de madeira na sua furadeira...


E fure o fundo do reservatório (ou a tampinha, caso esteja usando uma garrafa PET) com cuidado. Rosqueie o niple no buraco feito até o fim da parte rosqueada. Aperte bem. Se necessário desgaste um pouco o furo, mas cuidado para não ficar muito grande o buraco (senão vazará a água).



Faça dois furinhos opostos na lateral superior dos recipiente para fixar o cordão e deixar o bebedouro pendurado. Encha de água limpa e ajuste a altura na hora de pendurar, para que fique confortável para as galinhas.

Pronto! Elas aprendem rapidinho a beber, são moças espertas! =)

Agora podem tomar banho de areia àaaaa vontade... água limpa e fresca pelo menos dois dias seguidos, enquanto antes, eu tinha que trocar a água do pote duas vezes no dia e não era suficiente. 




terça-feira, 7 de junho de 2016

Paredinha estilo COB com calfitice

Fazendo uma paredinha de box no estilo COB, com composição de calfitice (cal+fibra+terra+cimento), só que com muuuuiita fibra... Fica compacta pra caramba!

Depois forrarei essa parede com mosaico de espelho para ficar mais fácil a limpeza.


A intenção é que fique nesse estilo:




{À tempo: sei que estou em falta de muitas postagens do processo de bioconstrução da casa, mas chegou um momento que o envolvimento da gente é tanto -- e ainda está sendo -- que não sobra tempo pra nada!!!}

quinta-feira, 26 de maio de 2016

{Mulheres de Atenas} existe machismo no mundo pagão?

Acho que é um bom momento para se discutir isso: existe machismo e misoginia na(s) cultura(s) pagã(s)? Ao apontarmos o dedo para a história de opressão cristã contra as mulheres, estamos sendo ingênuos ou cínicos ao fecharmos os olhos para os diversos estupros, humilhações, opressão, usurpação, sofridos por mulheres e Deusas no mundo pré-cristão?

Agora olhe a dominação dos Aesir sobre os Vanir com outro olhar...

O triste é que muitas vezes, mesmo sem perceber, nós pagãos enaltecemos e damos continuidade a cargas simbólicas machistas que deveriam ficar no passado. 

Muitas vezes "fantasiamos" o mundo antigo e suas sociedades, como se fossem o paraíso da igualdade para as mulheres. Mas não foi bem assim. Tudo bem que com a Idade Média e o avanço da moral cristã as coisas ficaram muitíssimo piores. Mas antes também não foi fácil. O embrião da sociedade machista patriarcal como conhecemos hoje, já existia em muitas sociedades antigas pré-cristãs. Não adianta em toda nossa "paganidade exemplar" denunciarmos os cristãos e esquecermos das nossas próprias mazelas.

A nós pagãos e pagãs, cabe não reproduzir padrões ideológicos que colocam a mulher numa condição subalterna, apenas por querermos ser "fieis" a determinada tradição religiosa. As tradições evoluem com seus adeptos. Nenhuma tradição filosófica ou religiosa deveria permanecer estagnada. E nós pagãos, que tanto prezamos a liberdade, a vontade própria, o conhecimento, deveríamos ficar mais atentos ao que reproduzimos por aí, seja dentro ou fora do templo. Os Deuses podem evoluir também... mas eles não o farão enquanto nós não nos mexermos... entendeu a profundidade da coisa?

Àqueles que quiserem se aprofundar no assunto, sugiro que leiam essas páginas, excerto do livro "Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas" de Mirella Faur. Você pode não concordar com toda argumentação histórica da autora, mas ela nos dá uma boa oportunidade de visualizar a imagem geral da coisa.


o rapto de Perséfone

Brunnhild implora a Odin


Perseu destrói Medusa, que um dia teria sido sacerdotisa da deusa Atena.

Marduk derrota Tiamat, a Deusa-Dragão, Mãe da Criação.

Apolo matando Píton, filha de Gaia.


...e finalmente, Adão e Eva são expulsos do Éden, pois Eva comeu a "fruta proibida", oferecida pela Serpente


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Colar de obsidiana "ponta de flecha" - para afastar negatividade

Direto do Canadá, terra dos Cree e dos Inuítes, Magia de Quintal traz uma novidade linda pra vocês:

Colar de obsidiana (vidro vulcânico) para proteção, "Ponta de Flecha"

Para adquirir, escolha um dos botões abaixo.
PAGSEGURO

ou

PAYPAL

"Ponta de Flecha de Obsidiana: a obsidiana é um tipo de vidro formado pelo rápido resfriamento da lava. Por ser facilmente lascada em fragmentos afiados, a obsidiana foi muito utilizada na confecção de facas, pontas de flechas e esculturas, pelo povos primevos. É uma pedra com propriedades de proteção e aterramento. Absorve e dispersa negatividade"

A obsidiana foi largamente usada desde a Idade da Pedra, não apenas como ferramenta cortante, mas também como amuleto mágico. Trazendo a essência do vulcão, este "vidro da terra" possui propriedades curativas do fogo, purificando as energias de vibração negativa.


Também tem o poder de aguçar a visão interior, é o que acreditava alguns indígenas americanos.
O seu formato, lapidado em ponta de flecha, ainda carrega a memória ancestral de suas propriedades, proteção e visão. Está ligada ao chakra raiz, ao signo de Escorpião e ao sistema digestivo.


Exclusividade de Magia de Quintal. Edição limitada. Importado do Canadá.



*OBS: pode haver ligeiras variações de formato e cor de item para item, pois é um produto natural.

sábado, 16 de abril de 2016

Escudo Xamânico da Maternidade

Para o mês das mães, fiz com muito carinho o que chamei de "escudo xamânico da maternidade". 



O que é escudo xamânico? É um artefato muito utilizado no xamanismo de povos norte-americanos, confeccionado com determinada intenção (proteção, saúde, harmonia, gratidão, criatividade, cura etc.), para servir de conexão entre você e seu sagrado.


Da maternidade? Sim. Esta arte rupestre da Serra da Capivara que mostra a mãe veado e seu filhote correndo, inspirou-me um grande insight onde pude sentir a proteção e o aconchego maternal. Então carreguei neste escudo estas intenções: da proteção maternal sobre suas criaturas amadas e sobre o lar.




















A peça é totalmente artesanal, em couro pirografado (dos últimos pedaços que sobrou), com sementes, corda de sisal, penas  e aro de pau-ferro (coletados no meu quintal)!

Participe do sorteio que acontecerá dia 01 de Maio, pelo facebook. Acesse e leia atentamente as instruções: https://www.facebook.com/arteesabedoriamagica/photos/a.747857845227210.1073741829.743638522315809/1183177008361956/?type=3&theater

Arte original. Serra da Capivara(PI) -  Boqueirão da Pedra Furada

domingo, 10 de abril de 2016

Calendário Lunar 2016 ~ Meio-Norte

Existem muitas formas de perceber a passagem do tempo, os calendários são basicamente solares, lunares ou luni-solares. No Paganismo seguimos dois calendários litúrgicos: um solar, que chamamos a "Roda do Ano", geralmente constituído por celebrações dos Equinócios e Solstícios mais quatro momentos de transição entre eles. O outro lunar, genericamente chamados de "esbás" é celebrado nas luas cheias, podendo também ocorrer em outras fases lunares, a depender do grupo e da tradição pagã.

O calendário solar conjuga momentos importantes para a comunidade pagã e tem um carater mais público e coletivo. O calendário litúrgico lunar, via de regra, já é mais restrito a grupos menores, pois durante as celebrações lunares normalmente são feitos trabalhos mágicos específicos para cura, prosperidade, divinação, proteção, etc., e dessas atividades apenas participam um seleto grupo de bruxos e bruxas iniciados nos mistérios da Arte.

Há também muitos grupos de mulheres advindos do Xamanismo, do movimento New Age e do próprio Paganismo, os quais variam enormemente em suas regras e princípios, mas basicamente seguem o calendário Lunar como forma trabalhar a conexão com o Sagrado Feminino. 

O calendário lunar é formado invariavelmente por 13 lunações que estão intimamente ligadas ao desenvolvimento das plantas e dos animais e a fenômenos naturais como enchentes de rio, marés, tempestades, etc. Os povos antigos nomeavam esses "meses" lunares de acordo com o seu bioma. A lunação correspondente ao mês de Fevereiro, por ex., era  "Lua do Osso" para os Cherokee; "Lua da Pequena Fome" para os Chocktaw; "Lua de Gelo" para os Celtas; e "Lua da Tempestade" na Inglaterra Medieval. Como se pode notar, para todos esses povos esta lunação se dava no auge do inverno, lembrando que todos eles estavam geograficamente localizados no Hemisfério Norte. Pelos nomes, percebe-se que além do frio intenso, esta é uma época de dificuldades para eles. E para nós? 

Obviamente no Hemisfério Sul os ciclos naturais são diferentes. E mais: no mesmo Hemisfério encontramos variações bem claras de região para região. Dentro do mesmo país, como é o caso do Brasil, essas variações climáticas acontecem. Assim sendo, não dá para pegar o que está em um livro escrito por um autor norte-americano (que está em outro hemisfério, em outra natureza...) e seguir como uma receita de bolo. Precisamos ser sensíveis e sentir a natureza que está a nossa volta... é isso que faz um pagão, basicamente! Logo, Fevereiro não corresponde à "Lua do Gelo" para nós... (nem gelo nós temos!). Nem a "Lua da Pequena Fome"... pelo contrário, Fevereiro é uma época de fartura e festas.

Apenas "inverter" o calendário pode não funcionar. Pelo menos não para todos os lugares... especialmente no Nordeste e Norte do Brasil: não neva, o lobo é raro, nossa fruta típica não é a blackberry. Então, não faz nenhum sentido nomear nossos meses lunares com características estrangeiras; aqui a gente tem época de muita chuva, diferentes animais e muitos outros frutos.

Então, seja para reunir os bruxos e bruxas em "esbás" mágicos, seja para trabalhar o Sagrado Feminino em grupo de mulheres, senti a necessidade de adaptar o calendário lunar à realidade daqui da região: Meio-Norte, mais especificamente, litoral do Piauí. Fiz essa adaptação com base em pesquisas com calendários Tupi-Guarani, com a Roda do Ano Piaga, com o calendário Lunar Celta e, é claro, utilizei muito de minhas observações pessoais.

Contei com a ajuda e co-autoria do irmão de caminhada Raj Endi Porã (Rafael) para trazer os nomes e significados de cada "mês" lunar datados para 2016:

Calendário Lunar.
Por Luiza Leite.
Não reproduza esta imagem sem autorização. 

09 Janeiro a 07 Fevereiro- Lua da invernada, ou Lua Quieta: Início das chuvas; limpeza e preparo da terra para plantio. Bom momento para rituais de purificação do lar.

08 Fevereiro a 07 Março - Lua do rio cheio, ou Lua da Semeadura: chuvas mais intensas, início do plantio na terra fértil. Bom momento para colocar ideias em prática.

08 Março a 06 Abril- Lua das flores ou Lua da tempestade ou Lua da Maré Grande: chuvas intensas; desabrochar das floradas; maior maré do ano na Lua Nova próxima ao Equinócio. Momento de grande força, bom para focar energia em projetos pessoais

07 Abril a 05 Maio - Lua Verde ou Lua da Primeira Colheita, ou Lua da Vagem: chuvas continuam, terra se encontra fértil, ocorrem as primeiras colheitas (milho e feijão).

06 Maio a 04 Junho - Lua da Benção ou Lua da Fertilidade: colheitas e reprodução de animais; fartura. Bom momento para investimentos pessoais.

05 Junho a 03 Julho - Lua do Milho ou Lua Amarela: Transição para a fase de seca. Aquecimento, celebração (festas juninas)

04 Julho a 01 Agosto - Lua da Gratidão ou Lua da Colheita: últimas colheitas, armazenamento de alimentos, os ventos aumentam. Momento de agradecer as dádivas e preparar-se para um longo período de contenção.

02 Agosto a 30 Agosto - Lua dos Ventos ou Lua Clara, ou ainda, Lua da Carnaúba: mês extremamente seco, de ventos fortes, cautela e contenção de energias.

01 Setembro a 29 Setembro - Lua do Babaçu  ou Lua Marrom: seca, com chuvas isoladas. Mês bom para construção, mas ruim para plantio. A árvore Babaçu frutifica como um milagre no meio da escassez. Momento de encontrar força através das adversidades.

30 Setembro a 29 Outubro - Lua dos Ancestrais ou Lua Azul, ou ainda, Lua dos Mortos: a seca continua a castigar a terra, a natureza está recolhida. Tempo de parar e rever as ações, momento propício para honrar os ancestrais e contactar os espíritos.

30 Outubro a 28 Novembro - Lua Seca, Lua de Sangue, Lua da Mandioca: seca intensa, natureza contida. Árvores sem folhas dominam a paisagem. Última safra de mandioca. Período de se livrar daquilo que pesa e dificulta a jornada. Energia concentrada em raízes e troncos.

29 Novembro a 30 Dezembro - Lua Cinzenta, Lua do Pequi ou Lua da Transição: A seca diminui, o calor continua intenso. Época de frutificação do pequizeiro.

30 Dezembro a 28 Janeiro - Lua da Promessa, Lua do Cajueiro, Lua do Renascimento ou Lua Escura: a humidade aumenta, e aos primeiros sinais de chuva a natureza se faz exuberante. Época de frutificação dos cajueiros. Bom tempo para planejar ações a longo prazo.

Deixo para expandir os significados de cada lunação em outra postagem -- que essa já está enorme.

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Como eu disse, esta é uma possibilidade de calendário lunar, para o Meio-Norte do Brasil. Caso em sua região seja diferente, faça um favor para você e para sua comunidade pagã: crie seu próprio calendário baseado na Natureza que te sustenta! Não é divertido? =)

~bons ventos~

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Lakshmibai: a rainha guerreira da Índia

Certa vez escrevi um texto neste blog homenageando a memória de grandes mulheres na História do mundo. Deixei de fora a história de uma mulher que muito me encantou e que chegou até mim de uma maneira especial...

É a história de Jhansi Ki Rani Lakshmibai, a líder de um principado indiano que viveu na época da dominação inglesa na Índia e que lutou pela liberdade de seu povo. Ela foi um exemplo de bravura, determinação, senso de justiça e liberdade. Sua história de vida me ensinou que seja qual for o tamanho da adversidade, não devemos abandonar aquilo que acreditamos e por mais que a vida nos coloque em enrascadas sempre aparecerá uma mão amiga.



"Lakshmibai, a Rainha Rani de Jhansi (19 de novembro de 1835 - 17 de junho de 1858) conhecida como Jhansi Ki Rani, era a rainha de Maratha -- principado do Estado de Jhansi, foi uma das principais figuras da rebelião indiana de 1857, e um símbolo de resistência ao domínio britânico na Índia. 

Ela entrou para a história da Índia como uma figura lendária, como a "Joana D'arc"da Índia. Ela foi chamada pelo nome Manikarnika. Carinhosamente, membros de sua família a chamava de Manu. Numa tenra idade de quatro anos, ela perdeu a mãe. Como resultado, a responsabilidade de sua criação caiu sobre seu pai. Durante seus estudos, ela também teve treinamento formal em artes marciais, que incluiu equitação, tiro e esgrima.

Ela nasceu em 19 de novembro de 1835 em Kashi Varanasi a uma família Maharashtrian Karhade brâmane de Dwadashi, distrito de Satara. Ela perdeu a mãe aos quatro anos de idade. Foi educada em casa. Seu pai Moropant Tambe trabalhou na corte de Peshwa Baji Rao II em Bithur e, em seguida, viajou para a corte de Raja Gangadhar Rao Newalkar, o marajá de Jhansi, quando Manu tinha 13 anos de idade. Ela se casou com Gangadhar Rao, o Raja de Jhansi, com a idade de 14.

Após seu casamento, a ela foi dado o nome Lakshmi Bai. Por causa da influência de seu pai na corte, Rani Lakshmi Bai tinha mais independência do que a maioria das mulheres, que eram normalmente restritas ao zenana: ela estudou auto-defesa, equitação, tiro com arco, e até mesmo formou seu próprio exército com mulheres, suas amigas na corte.

Rani Lakshmi Bai deu à luz um filho em 1851, no entanto essa criança morreu quando tinha cerca de quatro meses de idade. Após a morte de seu filho, ela e seu marido adotaram Damodar Rao. No entanto, diz-se que seu marido, o Raja, nunca se recuperou da morte de seu filho, e morreu no dia 21 de novembro de 1853 de um coração partido.

Porque Damodar Rao era adoptado e não biologicamente relacionado com o Raja, a Companhia das Índias Orientais, sob o comando do Governador-Geral Lord Dalhousie, apelou para a instauração da Doutrina da Lapse, que indeferiu o pedido de direito de Rao ao trono. Lord Dalhousie, em seguida, anexa Jhansi, dizendo que o trono tornou-se "caducado" e, assim, tomou Jhansi e colocou sob sua "proteção". Em março de 1854, a Rani Lakshmi foi dada uma pensão de 60.000 rúpias e obrigada a deixar o palácio do forte Jhansi.

Foi aí que a batalha contra a tirania inglesa começou: Rani Jhansi estava determinada a não desistir de Jhansi. Ela reforçou suas defesas e reuniu um exército de voluntários. As mulheres também receberam treinamento militar. As forças de Rani juntaram-se guerreiros incluindo Gulam Gaus Khan, Dost Khan, Khuda Baksh, Lala Bhau Bakshi, Moti Bai, Sunder-Munder, Kashibai, Deewan Raghunath Singh e Deewan Jawahar Singh.

Enquanto isso acontecia em Jhansi, em 10 de maio de 1857 o motim Sepoy (soldados) da Índia começou em Meerut. Este viria a ser o ponto de partida para a rebelião contra os britânicos. Tudo começou depois de rumores foram colocados sobre que os novos cartuchos de munição para fuzis Enfield foram revestidas com gordura de porco / carne de boi, porcos sendo tabu para os muçulmanos e vacas sagradas para os hindus e, portanto, proibidos de usar e comer. Comandantes britânicos insistiram sobre a sua utilização e começaram a repreender qualquer um que desobedecesse. Durante esta rebelião muitos civis britânicos, incluindo mulheres e crianças foram mortos pelos sipaios. Os britânicos queriam acabar com a rebelião rapidamente.

Enquanto isso, a agitação começou a se espalhar por toda a Índia e, em maio de 1857, a Primeira Guerra da Independência Indiana entrou em erupção em vários locais em todo o subcontinente norte. Durante este tempo caótico, os britânicos foram forçados a centrar a sua atenção em outros lugares, e Lakshmi Bai foi essencialmente deixada para governar Jhansi sozinha. Durante este tempo, suas qualidades foram repetidamente demonstradas, como ela foi capaz de forma rápida e eficiente conduzir suas tropas contra os confrontos rompendo em Jhansi. Através desta liderança, Lakshmi Bai foi capaz de manter Jhansi relativamente calmo e tranquilo no meio da agitação do Império.

Até este ponto, ela tinha estado hesitante a rebelar-se contra os britânicos, e ainda há alguma controvérsia sobre seu papel no massacre de oficiais britânicos HEIC e suas esposas e crianças no 08 de junho de 1857 em Jhokan Bagh. Sua hesitação, finalmente terminou quando as tropas britânicas chegaram sob comando de Sir Hugh Rose e Jhansi foi sitiada em 23 de março de 1858. Rani Jhansi com seus fiéis guerreiros decidiu não se render. A luta continuou por cerca de duas semanas. Os bombardeamentos em Jhansi era muito ferozes. As mulheres do exército de Jhansi também estavam transportando munições e estavam fornecendo comida para os soldados.

Rani Lakshmi Bai era muito ativa. Ela mesma estava inspecionando a defesa da cidade. Ela reuniu as tropas em torno dela e lutou ferozmente contra os britânicos. Um exército de 20.000, liderado pelo líder rebelde Tatya Tope, foi enviado para aliviar Jhansi e levar Lakshmi Bai para a liberdade. No entanto, os britânicos, embora em menor número, eram mais bem treinados e disciplinados do que os "recrutas", soldados inexperientes, que viraram e fugiram logo após os britânicos começaram a atacar em 31 de março. As forças de Lakshmi Bai não conseguiriam manter a defesa e três dias depois os britânicos foram capazes de romper as muralhas da cidade e capturar a cidade. No entanto, Lakshmi Bai escapou por cima do muro durante a noite e fugiu de sua cidade, acompanhada por seus guardas, muitos dos quais eram suas amigas militares.


Junto com o jovem Damodar Rao, Rani fugiu para kalpi junto com suas forças onde ela se juntou a outras forças rebeldes, incluindo os de Tatya Tope. Rani e Tatya Tope mudaram para Gwalior, onde as forças rebeldes combinadas derrotaram o exército do marajá de Gwalior, após seus exércitos desertaram para as forças rebeldes. Eles, então, ocuparam o forte estratégico em Gwalior. No entanto, no segundo dia de combates, em 18 de Junho de 1858, Rani morreu.

Sua morte foi heróica, seu exército tinha declinado, já que eles estavam em desvantagem em relação a oposição. O exército britânico tinha rodeado ela e seus homens. Não havia fuga, apenas sangue, a escuridão se aproximava. O exército britânico estava perseguindo ela. Após uma grande luta a Rani morreu murmurando citações do Bhagavad Gita. Quando ela foi para a guerra e pegou suas armas, ela era a própria encarnação da Deusa Kali. Ela era linda e frágil. Mas seu brilho intimidava os homens. Ela era jovem em anos, mas suas decisões eram maduras. Com efeito, que domínio e confiança tinha esta mulher! A lição deve ser aprendida por todos nós com suas experiências! As palavras do general britânico Sir Hugh Rose, que lutou contra os Maharani várias vezes e foi derrotado e outra vez declarou: "dos amotinados do a maior e mais brava comandante foi o Rani".

O General Rose relatou que ela tinha sido enterrada "com grande cerimônia debaixo de uma árvore de tamarindo sob a rocha de Gwalior, onde eu vi os seus ossos e cinzas". Seu túmulo está na área de Phool Bagh, de Gwalior. Vinte anos depois de sua morte coronel Malleson escreveu na História do Motim Indiano: "Quaisquer que tenham sido seus defeitos aos olhos britânicos, seus compatriotas sempre selembrarão que ela foi impulsionada pela causa justa de maus-tratos em rebelião, e que ela viveu e morreu por seu país."

Por causa de sua bravura, coragem e sabedoria, e suas opiniões progressistas sobre a emancipação das mulheres no século 19 na Índia, e devido a seus sacrifícios, ela se tornou um ícone do movimento de independência indiana. A Rani foi imortalizada em estátuas de bronze, tanto Jhansi e Gwalior, os quais retratam-na a cavalo.

Seu pai, Moropant Tambe, foi capturado e enforcado alguns dias após a queda de Jhansi. A seu filho adotivo, Damodar Rao, foi dada uma pensão pelo Raj britânico, embora ele nunca recebeu a sua herança.

Rani Lakshmi Bai se tornou uma heroína nacional e era vista como o epítome da bravura do sexo feminino na Índia. Quando o Exército Nacional da Índia criou sua primeira unidade do sexo feminino, foi nomeado em homenagem a ela.

A poetisa indiana Subhadra Kumari Chauhan escreveu um poema no estilo Veer Ras sobre ela, que ainda é recitado por crianças nas escolas da Índia contemporânea."

Fontes:
http://www.liveindia.com/freedomfighters/jhansi_ki_rani_laxmi_bai.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Rani_of_Jhansi
Tradução livre: Falcão Marrom.

Existem muitas produções audio-visuais sobre sua história: filmes, desenhos, séries... encontrei uma pequena animação que resume bem sua história (em inglês):