terça-feira, 2 de maio de 2017

{xamanismo} Roda de Medicina Sul-americana

declaro não ter a propriedade desta imagem

Este será um primeiro ensaio sobre meus estudos e minha experiência com a Roda de Medicina Xamânica sul-americana, ou do hemisfério Sul.

Talvez eu devesse começar explicando a Roda de Medicina Xamânica do Hemisfério Norte, a mais seguida entre os xamãs urbanos e praticantes do neoxamanismo. Porém, há tanto material, até mesmo na internet, sobre este tema que deixo para vocês pesquisarem.
Começo então contextualizando brevemente para quem não conhece muito sobre o Xamanismo ou Neoxamanismo:

A Roda é um caminho sagrado e cíclico, uma simbolismo ancestral do Macro e do Microcosmos, um espelho. Quando experienciamos a Roda de Medicina, estamos trilhando o caminho da auto-cura e da iluminação, um caminho sem começo e sem fim. Cada direção da Roda oferece um ensinamento, uma cura, uma experiência de vida, que geralmente estão ligadas a um mestre animal, vegetal ou mineral. 

Em meu aprendizado, aprendi com o meu mestre-xamã um conhecimento herdado do povo norte-americano (hemisfério Norte) Sioux, que como muitos outros povos ancestrais de todos os continentes, trabalham e honram as quatro direções. Porém, até mesmo pela característica de meu caminho espiritual, no qual procuro trabalhar o mais próxima possível das energias desta terra, busquei vivenciar a Roda dos Quatro Ventos adaptada ao Hemisfério Sul.

Há muito pouco material sobre o assunto (aliás a história ancestral do Hemisfério Sul é um mistério que poucos estudiosos quiseram desvendar), e é possível que você encontre outras pessoas com opiniões divergentes de como trabalhar a Roda de Medicina Sul -- tudo bem, esta é minha experiência e meu aprendizado está em constante evolução.

Como já comentei, a Roda é um caminho cíclico. O buscador inicia sua jornada como uma criança até alcançar a iluminação em seu propósito espiritual e assim retorna novamente ao início.

declaro não ter a propriedade desta imagem


A Roda gira no sentido horário, sentido do tempo natural das coisas, sentido da jornada do Sol, da Lua e das Estrelas. Cada uma das direções é uma etapa do aprendizado. 

declaro não ter a propriedade desta imagem
Inicio a jornada pela direção SUL, a direção fria, onde o Sol mal toca, a direção da escuridão, da mãe terra, da morte/renascimento, onde todas as almas descançam. Nessa direção ainda sou uma criança, prestes a me libertar das amarras do passado, aprendendo a andar, um passo após o outro. Aqui é o domínio da serpente, da "Cobra Grande", que nos ensina que para crescermos e seguirmos em frente é necessário deixar a antiga pele para trás. A Cobra Grande, esta guardiã protetora, firme e maternal, nos envolve com seu abraço aconchegante enquanto precisarmos e nos sentirmos inseguros, mas quando for a hora ela nos deixará caminhar sozinhos e viver o aqui-agora de forma plena.
*Palavras-chave: renascimento, transmutação, inícios, cura, passado, presente.

declaro não ter a propriedade desta imagem
Caminhando em direção ao OESTE, ainda sou apenas uma jovem alma curiosa, encantada com os mistérios do oculto, do que eu não posso ver, que temporalmente, chamamos de "futuro". O desconhecido é temido pelo ser humano ordinário. Assim, nos vem prestar seus ensinamentos a Mestra Onça, guardiã misteriosa das florestas e matas densas, senhora da noite. A Onça nos ensina a acreditar em nosso poder intuitivo, a não deixar o medo dominar nossas ações. Ela ensina o caminho do/a guerreiro/a. O oeste é a direção da água, espaço onírico ligado a intuição, a sensualidade e aos mistérios da alma.
*Palavras-chave: sensualidade, força, proteção, disciplina, medos, introspecção, clarividência.

declaro não ter a propriedade desta imagem
Após atravessar a floresta da Onça Pintada nos deparamos com o NORTE, que para nós no hemisfério Sul é o local do fogo do Sol, quente e iluminado por excelência. O fogo é a chama da existência, a alma que arde no coração do universo. O fogo há muito é considerado o símbolo do conhecimento, pois sem ele o ser humano não teria se desenvolvido tal qual. Aqui adentramos o domínio da nossa ancestralidade, toda carga de conhecimento que carregamos em nossas partículas e estamos prestes a descobrir, com o auxílio do Mestre Beija-Flor, o mediador entre-mundos, o sopro do Grande Espírito, aquele que dissemina o Amor Universal. Porém o pequeno-grande guardião do fogo sagrado apenas iluminará aqueles corações preparados para superar seus próprios egos e vícios.
*Palavras-chave: amor, amor incondicional, sabedoria, conhecimento, ancestralidade, altruísmo.

declaro não ter a propriedade desta imagem
Finalmente, alcançamos o berço do Sol, o LESTE, de onde chega toda inspiração. É aqui onde entramos nos domínios da compreensão de uma forma holística, nem racional, nem irracional, mas total. Com o auxílio do Guardião Alado, o Gavião, o mensageiro dos Deuses, aquele que viaja entre o Céu e a Terra trazendo as boas novas, iremos aprender a enxergar além, ou como alguns diriam hoje, "fora da caixinha". O Gavião nos ensina a criar asas e voar em busca da compreensão espiritual e, lá das nuvens, ver nossas conquistas, nosso percusso e também o longo e infinito caminho que ainda temos a trilhar em busca da sabedoria do Grande Espírito, a qual apenas alcançaremos com o Amor Verdadeiro.
*Palavras-chave: aprendizado, visão, iluminação espiritual, insight, mensageiro, liberdade, verdade, inspiração.

Ainda temos mais três direções a serem honradas:  


ACIMA, onde habita o Pai Céu, as forças celestes, de onde emana o princípio masculino em nosso mundo; onde moram a Avó Lua e o Avô Sol.

ABAIXO, representada pela Mãe Terra, nossa nutridora, nosso templo e nossa casa, de onde emanam as energias telúricas e o princípio feminino em nosso mundo.

CENTRO, o eixo, o Universo dentro de nós, o Grande Espírito. 

  
A Roda de Medicina xamânica, seja que sistema você preferir, pode ser vivenciada infinitas vezes e em diversas ocasiões ritualísticas. Costumo trabalhar com ela nas celebrações do Círculo do Sagrado Feminino, invocando os Guardiões dos 4 Ventos e pedindo seu auxílio e proteção nos trabalhos espirituais realizados. Pouco a pouco vou tomando um contato mais pronfundo com cada direção. Esse é um conhecimento que não ocorre do dia para noite e dificilmente você vai encontrar em livros, pois cada vivência é pessoal e requer muita prática e respeito aos espíritos guardiões.

Porém com vontade e determinação, qualquer pessoa pode entrar em contato com essa sabedoria, ou essa "medicina". 

~bons ventos~

Anajé.

terça-feira, 11 de abril de 2017

{Magia do Mar} Marés Grandes - Marés Vivas Equinociais

fonte: g1.globo.com

Como você já deve saber, a força e movimento das marés influencia nossa vida e nossa força mágica.

Há alguns eventos astronômicos que influenciam as marés, como o as fases da lua (interação entre os movimentos solar e lunar), a distância da Lua à Terra (perigeu/apogeu) as estações do ano e condições climatológicas.

Dessas e outras numerosas combinações, teremos as duas marés mais fortes do ano, que acontecem durante a Lua Negra (alguns chamam de Lua Nova) mais próximas dos dias dos Equinócios, de outono, ou de primavera.

O que quer dizer em termos mundanos uma "maré forte"? Significa que o coeficiente (diferença) entre o avanço e o recuo da água do mar será muito alto nesses dois dias, pois a combinação da força de atração gravitacional do Sol e da Lua sobre as águas terrenas estará em seu ápice.

Isso porque além do Sol e da Lua estarem em conjunção (Lua Nova/ Negra - Maré Viva), no período de Equinócio o Sol está 90o à linha do Equador, provocado atração mais intensa.

E magicamente, o que poderá significar? Bem, usando a lógica, se trabalhamos com a força das marés para alcançar nossos intuitos mágicos, quanto mais incisiva esta força for, mais intenso será nosso resultado.

Por ex.: se você quer fazer "aquele" ritual de banimento, ou de morte/renascimento, você escolherá uma das duas Marés Grandes do ano, em uma das duas Luas Negras próximas aos Equinócios, de preferência durante a vazante. No caso, nesses mesmos dois momentos, a maré cheia trará poderosa força revigorante. São ótimos momentos para rituais de iniciação e passagem.

Aqui um vídeo educativo sobre o assunto (da parte científica):



É claro, devido ao grande grau de complexidade das variantes envolvidas, haverá "marés grandes" maiores que outras, e talvez você não presencie em toda sua existência a maior maré de algum grande ciclo astronômico, mas prestando atenção você poderá identificar a maior maré do ano... acho que já dá pra ficar feliz né! rs

Enfim, aqui falei bem pouco da complexidade que na verdade é o cículo das marés. Deixo aqui uma citação para abrir a discussão e atiçar a curiosidade de todos vocês, bruxas e bruxos do mar:

"Como facilmente se pode deduzir do exposto, a maré é um fenómeno complexo com elevado número de variáveis. As marés com maior amplitude ocorrem quando a Lua está em perigeu e em sizígia e, simultaneamente, a Terra está em periélio e a declinação é zero tanto no que se refere à Lua como ao Sol. Esta coincidência não é frequente, ocorrendo aproximadamente de 1600 em 1600 anos, acontecendo a próxima por volta do ano 3 300. 

Quando se considera o longo prazo a complexidade da maré é ainda maior devido aos vários movimentos astronómicos, designadamente o ciclo nodal da Lua (18,6 anos), o movimento de precessão da Lua (8 850 anos), a excentricidade da órbita terrestre (413 mil anos), a precessão dos equinócios (26 mil anos), a obliquidade do eixo de rotação da Terra (41 mil anos).

A dinâmica da deslocação da maré é ainda fortemente condicionada pela disposição dos continentes, pela configuração da batimetria e por muitos outros factores." (fonte: http://www.aprh.pt/rgci/glossario/mare.html )


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

{resposta} "O SAGRADO FEMININO: OLHANDO PRA ALÉM DO PRÓPRIO ÚTERO"


Achei muito interessante os questionamentos no "Blogueiras Negras" sobre o movimento do "Resgate do Sagrado Feminino" (RSF), aposto que são os mesmos questionamentos de muitas pessoas, inclusive, no mesmo dia recebi três mensagens de mulheres diferentes à respeito d artigo: http://blogueirasnegras.org/2017/01/31/o-sagrado-feminino-olhando-pra-alem-do-proprio-utero/

Ensaio responder cada um desses questionamentos, na minha visão de mundo (sublinho que não pretendo representar a visão das mulheres envolvidas com os trabalhos do RSF). Percebo que a autora do texto tem suas próprias convicções sobre a polêmica, porém discordo de algumas e explicarei o porquê.

- Sobre a biologização do corpo no sagrado feminino: não é apenas corpos de genótipo "XX" que podem vivenciar o sagrado feminino. O que ocorre, é que as técnicas e práticas utilizadas atualmente nas ditas "rodas de mulheres" tem uma origem que retorna até os períodos Paleolíticos e Neolíticos, passando por outras culturas da Idade Antiga, especialmente as culturas greco-romanas, orientais (especialmente indianas) e de alguns povos nativo-americanos. Logo precisamos situar historicamente essas práticas, entendendo que em muitas dessas sociedades, o gênero feminino correspondia ao sexo feminino, e o gênero masculino correspondia ao sexo masculino, sem variações. Havia também uma forte divisão sexual do trabalho, o que responde a outra indagação, sobre a "essencialização" das características femininas, como "cuidadora", "maternal", etc. Aqui tenho dúvidas se a blogueira conhece as faces do sagrado feminino, pois a "Mãe" é apenas uma das 3... ou 9... ou até 13 faces. E ainda, se conhece profundamente o que significa a face da Mãe (que não se refere apenas a maternidade).

-Sobre a menstruação: os trabalhos dentro dos círculos de mulheres com a menstruação se restringe ao sangue, seus poderes e seu ciclo. Sobre coletor menstrual e absorventes de pano, é algo auxiliar e nunca foi e nunca será parte dos mistérios do sangue. Faz uso dessas formas de higiene quem quer fazer, e ninguém é obrigada. Agora, o que tentamos conscientizar as mulheres que buscam um auto-conhecimento e um caminho de respeito à Natureza (que é vista por nós como Sagrada), é que parem de usar absorventes descartáveis para diminuir a destruição do corpo de "Gaya" (basicamente isso). Mas novamente, ninguém é "obrigada" e ninguém é menos mulher por usar absorvente descartável.

-Achei curioso a autora se referir à "tenda vermelha" com ironia. O que ela diria sobre os 21 dias de reclusão da/o iaô no Candomblé? É exclusão social também? Gostaria de saber a opinião dela. E mais uma vez, ninguém é obrigada, cada uma faz aquilo que está ao seu alcance, e ninguém precisa deixar de trabalhar o sagrado feminino dentro de si porque tem uma jornada de "30h por dia".

-Antes de terminar a parte divergente, gostaria de me aprofundar um pouco mais na questão das mulheres de outras corporalidades e até mesmo nos homens dentro do trabalho de Resgate do Sagrado Feminino:

Acreditamos que todos os seres (humanos, animais, plantas, pedras, etc) possuem o feminino e o masculino em si. Pois o masculino e o feminino são apenas polaridades energéticas contrárias e complementares, assim como o Yin e o Yang.

Visto isso, uma mulher trans, uma mulher homoafetiva, um homem, enfim... todos os tipos de gênero e orientações sexuais carregam em si as duas polaridades que funcionam em um equilíbrio dinâmico. E aqui eu abro um parêntese sobre equilíbrio dinâmico para entender algo mais à frente: equilíbrio não quer dizer 50% uma coisa 50% outra... quer que as duas energias estão sempre num movimento que TENDE ao equilíbrio. 

Mas...realmente! Por que será que estes círculos são geralmente exclusivos para mulheres nascidas mulheres?

Não posso responder por todas, mas acredito que, como crianças, estamos reaprendendo a desenvolver uma consciência que perdemos. E qual é o caminho mais direto e mais fácil de se fazer isso? O CORPO. Não existe como negar a contribuição do corpo para nossa existência. A corporalidade é o mecanismo imediato de contato com o universo. 

Logo, a maneira CORPORAL de trabalhar o RSF vai ser diferente em cada um desses diferentes corpos. E não apenas: é diferente em cada pessoa, mesmo que sejam duas irmãs gêmeas. A mulher tem um corpo diferente do homem, que tem um corpo diferente dos homens e mulheres trans, que tem um corpo diferente de uma menina que ainda não menstruou, que tem um corpo diferente das pessoas hermafroditas... enfim, não existe apenas duas corporalidades, existem diversas... e cada uma delas é um mecanismo diferente de receptividade do universo.

Então 1o ponto que precisa ser entendido: a experiência corporal é importante no resgate do sagrado feminino e cada tipo de corpo (com utero, sem utero, com utero não funcional, com utero e pênis.. enfim) deve ser trabalhado de um jeito.

A partir daí, 2o ponto que precisa ser entendido: o resgate do sagrado feminino é um movimento espiritualista quase 100% baseado em tradições antiquíssimas, sociedades que não sabemos como realmente funcionavam, só temos pistas, e sabemos que havia uma forte divisão sexual do trabalho: homens eram caçadores e guerreiros, e mulheres coletavam e plantavam e cuidavam das crias. Basicamente isso. Os papéis sociais neste tipo de sociedade eram muito mais simplificados, não tinha-se a gama identitária que se tem hoje.

Daí que está: nos círculos de mulheres da sociedade contemporânea, estamos pegando um "quadrado" e tentando encaixar num "círculo". Ok, o quadrado cabe no círculo, mas vão sobrar arestas, e nós temos que aparar essas arestas. Mas os antigos não nos ensinaram isso, nós temos que aprender sozinhos, captar a "alma" da coisa e fazer adaptações e invenções. 

Traduzindo:
Homens e mulheres trans não tem útero, obviamente não poderão trabalhar os mistérios do sangue menstrual. Eles e elas tem menos feminino dentro de si por causa disso? NÃO! Feminino, como eu disse, é uma energia, não corresponde obrigatoriamente a sexo ou gênero.

Mas a mulher é, ARQUETIPICAMENTE, a REPRESENTAÇÃO da energia feminina (presta atenção nas palavras em caixa alta). Isso não significa que ela CORRESPONDA a isso, nem significa que haja EXCLUSÃO das outras identidades de gênero.

Mas deixa eu contar uma coisa para vocês: não é todo mundo que está disposto, ou melhor, disposta, a se aventurar nessa diversidade de identidade de gênero. Eu mesma, no começo, não estava. É muito mais fácil juntar um monte de mulheres com úteros (funcionais ou não) e repetir o que se faz há mais de milênios. É uma receita que a gente já sabe que dá certo. Mas também não faz sentido ignorar o que existe hoje. O mundo é composto de outra forma, com outras corporalidades... e já que o RSF se empenha tanto em mudar o mundo, é necessário que ele próprio mude também... ou pelo menos se atualize. E né fácil não! Por ex.: como trabalhar com a influência da lua sobre os ciclos femininos com homens ou trans? Eu não sei, ainda estou descobrindo. E acho importante descobrir. Essa descoberta definitivamente não está nos livros. Vamos ter que fazer isso ao vivo e a cores, juntos e precisaremos muito dos/das "pessoas-que-não-são-mulheres-com-útero" para isso.

Agora para não dizer que sou "do contra" rs... eu concordo que o sistema universal de saúde deveria ser mais justo socialmente e oferecer um serviço de qualidade às mulheres em situação de vulnerabilidade. Não é justo que apenas as mulheres com acesso ao serviço particular possam escolher o parto natural.

Também não posso negar a perigosa mercantilização do Sagrado Feminino por alguns grupos (vide Mandala da Prosperidade) e também o "branqueamento" dos círculos do RSF. Isso é algo que deve ser amplamente discutido e devemos buscar soluções de forma horizontal. Devemos procurar saber: por que há menos negros e negras participando desses grupos, por que há menos pessoas de classes sociais menos abastadas participando desses grupos?

Cordialmente,

Luiza - Anajé.










Um pouco sobre mim: Anajé, pagã piaga, bruxa, antropóloga, aprendiz de permacultora, tem orgulho do sangue tupi em suas veias, co-administradora da loja Magia de Quintal, uma das condutoras do Círculo das Marés - círculo misto de resgate do sagrado feminino em Parnaíba-PI.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Calendário Lunar 2017 ~ Meio-Norte

Nesta postagem anterior, falei um pouco sobre as origens e como é utilizado o calendário Lunar. Agora atualizo para vocês os ciclos do calendário lunar no ano de 2017 (que começa já dentro da Lua da Promessa):


30/Dez~28/Jan: Lua da Promessa, Lua do Cajueiro, Lua do Renascimento ou Lua Escura: a humidade aumenta, e aos primeiros sinais de chuva a natureza se faz exuberante. Época de frutificação dos cajueiros. Bom tempo para planejar ações a longo prazo.

29/Jan~27/Fev:  Lua da invernada, ou Lua Quieta: Início das chuvas; limpeza e preparo da terra para plantio. Bom momento para rituais de purificação do lar.

28/Fev~28/Mar:  Lua do rio cheio, ou Lua da Semeadura: chuvas mais intensas, início do plantio na terra fértil. Bom momento para compartilhar ideias, sonhos e pensamentos.

29/Mar~26/Abr: Lua das flores ou Lua da tempestade ou Lua das Libéluas: chuvas intensas; desabrochar das floradas; maior maré do ano na Lua Negra mais próxima ao Equinócio**. Momento de grande força, bom para focar energia em projetos pessoais.

27/Abr~26/Mai: Lua Verde ou Lua da Primeira Colheita, ou Lua da Vagem: chuvas continuam, terra se encontra fértil, ocorrem as primeiras colheitas (milho e feijão).

27/Mai~24/Jun: Lua da Benção ou Lua da Fertilidade: colheitas e reprodução de animais; fartura. Bom momento para investimentos pessoais.

25/Jun~23/Jul: Lua do Milho ou Lua Amarela: Transição para a fase de seca. Aquecimento, celebração (festas juninas)

24/Jul~22/Ago: Lua da Gratidão ou Lua da Colheita: últimas colheitas, armazenamento de alimentos, os ventos aumentam. Momento de agradecer as dádivas e preparar-se para um longo período de contenção.

23/Ago~20/Set: Lua dos Ventos ou Lua Clara, ou ainda, Lua da Carnaúba: mês extremamente seco, de ventos fortes, cautela e contenção de energias.

21/Set~20/Out: Lua do Babaçu  ou Lua Marrom: seca, com chuvas isoladas. Mês bom para construção, mas ruim para plantio. A árvore Babaçu frutifica como um milagre no meio da escassez. Momento de encontrar força através das adversidades.

21/Out~19/Nov: Lua dos Ancestrais ou Lua Azul, ou ainda, Lua dos Mortos: a seca continua a castigar a terra, a natureza está recolhida. Tempo de parar e rever as ações, momento propício para honrar os ancestrais e contactar os espíritos.

20/Nov~18/Dez: Lua Seca, Lua de Sangue, Lua da Mandioca: seca intensa, natureza contida. Árvores sem folhas dominam a paisagem. Última safra de mandioca. Período de se livrar daquilo que pesa e dificulta a jornada. Energia concentrada em raízes e troncos.

19/Dez~16(?)/Jan: Lua Cinzenta, Lua do Pequi ou Lua da Transição: A seca diminui, o calor continua intenso. Época de frutificação do pequizeiro.




**O dia da "Maré Grande" pode mudar de mês lunar de um ano a outro, a depender do dia em que cai o Equinócio de Primavera. Neste ano de 2017 a Lua Negra mais próxima do Equinócio de Primavera se deu em 28 de março durante o mês da Lua do Rio Cheio.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

{galinhas} {DIY} Bebedouro automático - niple

Cleópatra se servindo de água. Ela não sai de perto de bebedouro!
Uma postagem para quem cria galinhas (ou outra ave). Vou apresenta umr detalhe que vai revolucionar a saúde de suas galinhas e te poupar um bom tempo de cuidado diário com a senhoritas penudas: o uso do bebedouro automático.

A água contaminada no bebedouro é o principal meio de proliferação de doenças mortais entre o rebanho. A galinha é um bicho espalhafatoso: gosta de ciscar na terra, tomar seu banho diário de areia... e frequentemente elas fazem isso perto da vasilha de água, enchendo-a de sujeira, carregada de fezes e outros detritos. Além disso, a saliva de uma galinha doente pode contaminar facilmente outras galinhas através da água.

No caso do bebedouro automático, a galinha apenas tem contato com a "agulha" que ela pressiona como um botão pelo qual escorre a água que ela bebe. A água fica sempre limpa num reservatório acima do niple.


É algo simples, que você mesmo pode fazer em casa. Nas fotos abaixo, vou demonstrar o passo a passo:

Material necessário:

- Pelo menos um niple
- Garrafa PET ou reservatório limpo
- Furadeira broca 8
- Cordão

Pegue um reservatório de plástico...
 e marque sua superfície para a broca não escorregar.


Coloque a broca 8 de madeira na sua furadeira...


E fure o fundo do reservatório (ou a tampinha, caso esteja usando uma garrafa PET) com cuidado. Rosqueie o niple no buraco feito até o fim da parte rosqueada. Aperte bem. Se necessário desgaste um pouco o furo, mas cuidado para não ficar muito grande o buraco (senão vazará a água).



Faça dois furinhos opostos na lateral superior dos recipiente para fixar o cordão e deixar o bebedouro pendurado. Encha de água limpa e ajuste a altura na hora de pendurar, para que fique confortável para as galinhas.

Pronto! Elas aprendem rapidinho a beber, são moças espertas! =)

Agora podem tomar banho de areia àaaaa vontade... água limpa e fresca pelo menos dois dias seguidos, enquanto antes, eu tinha que trocar a água do pote duas vezes no dia e não era suficiente. 




terça-feira, 7 de junho de 2016

Paredinha estilo COB com calfitice

Fazendo uma paredinha de box no estilo COB, com composição de calfitice (cal+fibra+terra+cimento), só que com muuuuiita fibra... Fica compacta pra caramba!

Depois forrarei essa parede com mosaico de espelho para ficar mais fácil a limpeza.


A intenção é que fique nesse estilo:




{À tempo: sei que estou em falta de muitas postagens do processo de bioconstrução da casa, mas chegou um momento que o envolvimento da gente é tanto -- e ainda está sendo -- que não sobra tempo pra nada!!!}

quinta-feira, 26 de maio de 2016

{Mulheres de Atenas} existe machismo no mundo pagão?

Acho que é um bom momento para se discutir isso: existe machismo e misoginia na(s) cultura(s) pagã(s)? Ao apontarmos o dedo para a história de opressão cristã contra as mulheres, estamos sendo ingênuos ou cínicos ao fecharmos os olhos para os diversos estupros, humilhações, opressão, usurpação, sofridos por mulheres e Deusas no mundo pré-cristão?

Agora olhe a dominação dos Aesir sobre os Vanir com outro olhar...

O triste é que muitas vezes, mesmo sem perceber, nós pagãos enaltecemos e damos continuidade a cargas simbólicas machistas que deveriam ficar no passado. 

Muitas vezes "fantasiamos" o mundo antigo e suas sociedades, como se fossem o paraíso da igualdade para as mulheres. Mas não foi bem assim. Tudo bem que com a Idade Média e o avanço da moral cristã as coisas ficaram muitíssimo piores. Mas antes também não foi fácil. O embrião da sociedade machista patriarcal como conhecemos hoje, já existia em muitas sociedades antigas pré-cristãs. Não adianta em toda nossa "paganidade exemplar" denunciarmos os cristãos e esquecermos das nossas próprias mazelas.

A nós pagãos e pagãs, cabe não reproduzir padrões ideológicos que colocam a mulher numa condição subalterna, apenas por querermos ser "fieis" a determinada tradição religiosa. As tradições evoluem com seus adeptos. Nenhuma tradição filosófica ou religiosa deveria permanecer estagnada. E nós pagãos, que tanto prezamos a liberdade, a vontade própria, o conhecimento, deveríamos ficar mais atentos ao que reproduzimos por aí, seja dentro ou fora do templo. Os Deuses podem evoluir também... mas eles não o farão enquanto nós não nos mexermos... entendeu a profundidade da coisa?

Àqueles que quiserem se aprofundar no assunto, sugiro que leiam essas páginas, excerto do livro "Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas" de Mirella Faur. Você pode não concordar com toda argumentação histórica da autora, mas ela nos dá uma boa oportunidade de visualizar a imagem geral da coisa.


o rapto de Perséfone

Brunnhild implora a Odin


Perseu destrói Medusa, que um dia teria sido sacerdotisa da deusa Atena.

Marduk derrota Tiamat, a Deusa-Dragão, Mãe da Criação.

Apolo matando Píton, filha de Gaia.


...e finalmente, Adão e Eva são expulsos do Éden, pois Eva comeu a "fruta proibida", oferecida pela Serpente


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Colar de obsidiana "ponta de flecha" - para afastar negatividade

Direto do Canadá, terra dos Cree e dos Inuítes, Magia de Quintal traz uma novidade linda pra vocês:

Colar de obsidiana (vidro vulcânico) para proteção, "Ponta de Flecha"

Para adquirir, escolha um dos botões abaixo.
PAGSEGURO

ou

PAYPAL

"Ponta de Flecha de Obsidiana: a obsidiana é um tipo de vidro formado pelo rápido resfriamento da lava. Por ser facilmente lascada em fragmentos afiados, a obsidiana foi muito utilizada na confecção de facas, pontas de flechas e esculturas, pelo povos primevos. É uma pedra com propriedades de proteção e aterramento. Absorve e dispersa negatividade"

A obsidiana foi largamente usada desde a Idade da Pedra, não apenas como ferramenta cortante, mas também como amuleto mágico. Trazendo a essência do vulcão, este "vidro da terra" possui propriedades curativas do fogo, purificando as energias de vibração negativa.


Também tem o poder de aguçar a visão interior, é o que acreditava alguns indígenas americanos.
O seu formato, lapidado em ponta de flecha, ainda carrega a memória ancestral de suas propriedades, proteção e visão. Está ligada ao chakra raiz, ao signo de Escorpião e ao sistema digestivo.


Exclusividade de Magia de Quintal. Edição limitada. Importado do Canadá.



*OBS: pode haver ligeiras variações de formato e cor de item para item, pois é um produto natural.

sábado, 16 de abril de 2016

Escudo Xamânico da Maternidade

Para o mês das mães, fiz com muito carinho o que chamei de "escudo xamânico da maternidade". 



O que é escudo xamânico? É um artefato muito utilizado no xamanismo de povos norte-americanos, confeccionado com determinada intenção (proteção, saúde, harmonia, gratidão, criatividade, cura etc.), para servir de conexão entre você e seu sagrado.


Da maternidade? Sim. Esta arte rupestre da Serra da Capivara que mostra a mãe veado e seu filhote correndo, inspirou-me um grande insight onde pude sentir a proteção e o aconchego maternal. Então carreguei neste escudo estas intenções: da proteção maternal sobre suas criaturas amadas e sobre o lar.




















A peça é totalmente artesanal, em couro pirografado (dos últimos pedaços que sobrou), com sementes, corda de sisal, penas  e aro de pau-ferro (coletados no meu quintal)!

Participe do sorteio que acontecerá dia 01 de Maio, pelo facebook. Acesse e leia atentamente as instruções: https://www.facebook.com/arteesabedoriamagica/photos/a.747857845227210.1073741829.743638522315809/1183177008361956/?type=3&theater

Arte original. Serra da Capivara(PI) -  Boqueirão da Pedra Furada